Criada primeira prótese que permite sentir (com video)

Criada primeira prótese que permite sentir (com video)
Há nove anos, Dennis Sørensen Aabo feriu gravemente o braço esquerdo num acidente com fogos de artifício, e teve que ser amputado. Agora, pela primeira vez, uma mão biónica restaurou a sua capacidade de sentir.

Pesquisadores incorporaram eléctrodos no braço de Sørensen e sensores de toque numa mão protética para estimular os nervos restantes. 

Com a mão, Sørensen foi capaz de reconhecer objetos diferentes através da sensação e agarrá-los de forma adequada, de acordo com o estudo detalhado online hoje (5 de fevereiro) na revista Science Translational Medicine.

"Eu podia sentir coisas que eu não tinha sido capaz de sentir há mais de nove anos" disse Sørensen nem comunicado. 

Até agora, Sørensen é a única pessoa a testar a prótese, no entanto, se comprovado funcionar a longo prazo em mais pessoas, o sistema poderá melhorar muito a função de próteses atuais e a qualidade de vida dos seus usuários. 


A capacidade de sentir é fundamental para os seres humanos, que precisam de destreza para executar tarefas básicas com as mãos. As informações táteis dizem a uma pessoa o quanto de força usar quando agarrar objetos tão rígidos como uma caneca de café ou tão delicados como uma uva.

"Sem feedback sensorial das nossas mãos, teríamos dificuldades em executar até mesmo as atividades mais básicas da vida diária", disse Sliman Bensmaia, neurocientista da Universidade de Chicago, que não estava envolvido na pesquisa.

Muitos pesquisadores estão a desenvolver sistemas de próteses destinados a restabelecer a capacidade das pessoas para controlar os seus braços ou pernas após amputação, lesão medular ou doenças.

E cada vez mais, os cientistas também estão a trabalhar para incorporar o feedback táctil. O novo estudo é o primeiro a demonstrar tal feedback com sucesso num paciente humano. Silvestro Micera, engenheiro neural na Scuola Superiore Sant'Anna, em Itália e no Instituto Federal Suíço de Tecnologia de Lausanne, na Suíça, liderou a equipa que desenvolveu a mão biónica.

Micera e a sua equipa conectou sensores de toque na mão artificial e incorporou cirurgicamente eléctrodos nos restos de nervos do braço de Sørensen. Algoritmos de computador converteram os sinais dos sensores numa forma que os nervos pudesse detectar.

Num ensaio clínico que durou um mês, Sørensen testou a prótese, às vezes usando uma venda nos olhos e tampões de ouvido para que pudesse confiar somente no seu sentido do tato ao usar a mão biónica. 

Sørensen foi capaz de controlar a forma como agarrou com força os objetos, e sentir a sua forma e rigidez. Ele foi capaz de perceber as diferenças entre os objetos duros, médios e macios, e identificar as formas de objetos específicos, como uma garrafa cilíndrica ou uma bola.

Sørensen disse aos pesquisadores que o sentido de tacto artificial era semelhante ao sentimento natural que ele experimenta na sua outra mão. Em contraste com as abordagens anteriores para substituir o sentido perdido de contato com, por exemplo, vibrar a pele, a nova abordagem fornece "um feedback anatomicamente adequado", disseram os pesquisadores.

Ainda assim o estudo é preliminar, uma vez que envolveu somente uma única pessoa. Além disso, a fim de ser um dispositivo seguro e útil, o sistema teria de ser totalmente implantável sob a pele, e seria necessário que continuasse a trabalhar por um longo período de tempo, acreditam os pesquisadores.

Embora provavelmente estejamos a anos de ver um sistema como o que Micera e seus colegas desenvolveram pronto para o uso clínico, o desenvolvimento é sem dúvida, um grande passo na direção certa. [Livescience]
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