Descoberto caso mais antigo de cancro em esqueleto com 3200 anos

Descoberto caso mais antigo de cancro em esqueleto com 3200 anos
No Sudão, foi descoberto um esqueleto com 3200 anos de um homem que sofria de cancro, revela um novo estudo publicado a 17 de março na revista PLoS ONE.

O esqueleto foi descoberto a 750 quilómetros a sul de Cartum, a capital do Sudão, no sítio arqueológico de Amara Oeste. Há 3200 anos a região era dominada pelos egípcios.

Os restos mortais deste homem, que tinha uma idade entre os 25 e os 35 anos, foram encontrados numa sepultura perto do rio Nilo, no ano passado, por uma estudante da Universidade de Durham, em Inglaterra.

Os pesquisadores examinaram os ossos do homem, que era oriundo de um meio abastado, tendo descoberto sinais de cancro já com metástases. No entanto, não foi possível determinar se o cancro foi a causa da morte do sujeito.

Trata-se do esqueleto mais antigo e mais completo que alguma vez foi encontrado, mostrando um humano com cancro e metástases. Ainda assim, e apesar de o cancro ser uma das principais causas de morte atualmente, é raro encontrarem-se vestígios de cancro em esqueletos.

Tal facto, conduz à ideia de que o cancro esteja “principalmente associada ao modo de vida contemporâneo e ao aumento da esperança média de vida”, explicam os investigadores no seu estudo.

"A análise do esqueleto mostra que a forma das pequenas lesões nos ossos só pode ter sido criada por um cancro nos tecidos moles, apesar de a origem exacta ser impossível de determinar a partir dos ossos", afirma Michaela Binder, arqueóloga que fez a descoberta.

"Este esqueleto poderá ajudar-nos a compreender a história até agora desconhecida do cancro. Temos muito poucos exemplos anteriores ao primeiro milénio antes de Cristo", acrescentou a investigadora, afirmando ainda ser necessário compreender a história desta doença para compreender melhor a sua evolução. 

Os exames radiológicos feitos neste estudo permitiram observar com algum detalhe as lesões presentes nos ossos. Assim, os arqueólogos foram capazes de verificar que o homem apresentava metástases nas clavículas, omoplatas, vértebras, braços, fémures e bacia.

No entanto, a origem do cancro é desconhecida, sendo que poderá ter sido provocado pela inalação de fumo de madeira queimada, que tem compostos cancerígenos, por factores genéticos ou até mesmo por uma doença infecciosa causada por parasitas, especulam os cientistas. [NBCNews]
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