Segredos da Medicina Tradicional Chinesa


http://www.ciencia-online.net/2013/03/segredos-da-medicina-tradicional-chinesa.html
Por milhares de anos, ervanários chineses têm tratado a malária usando Chang Shan, um extrato de raiz de um tipo de hortênsia, que cresce no Tibete e Nepal. Estudos recentes têm sugerido que o Chang Shan pode também reduzir a formação de cicatrizes, o tratamento da esclerose múltipla e a progressão do cancro.

Os pesquisadores suspeitam que o poder do extrato de ervas em mitigar os efeitos da malária decorre da febrifugine, o ingrediente ativo do extrato. Usando halofuginona, um composto derivado da amplamente estudada febrifugine, duas equipas de pesquisa têm ajudado a explicar como funciona o extrato. As suas descobertas sugerem maneiras de aproveitar o remédio de ervas para tratar uma série de condições médicas.

Para descobrir os segredos moleculares do extrato, pesquisadores da Harvard School of Dental Medicine e colaboradores internacionais focaram-se nas mudanças moleculares desencadeadas pelo halofuginona. Ao longo dos anos, eles aprenderam que o halofuginona ativa um caminho de resposta ao stress, que bloqueia a produção de uma classe prejudicial de células do sistema imunológico, chamadas células Th17. Estas células têm sido implicadas em muitas doenças auto-imunes, incluindo a doença inflamatória do intestino, artrite reumatóide e psoríase.

Mais recentemente, a equipa internacional mostrou que o halofuginona restringiu a atividade de uma enzima chave envolvida na produção de proteínas. O bloqueio da enzima inicia a via de resposta ao stress e assim reprime a produção de células TH17 e outros tipos de células envolvidas na inflamação. Estes resultados ajudam a explicar os efeitos terapêuticos e sugerem que o composto pode ser uma ferramenta útil para o estudo de um processo importante molecular.

O outro estudo, conduzido por cientistas do Instituto de Pesquisa Scripps, focou-se em como o halofuginona liga a sua enzima alvo. Estudos revelaram que o composto agarra e bloqueia a extremidade da enzima. Numa reviravolta incomum, os investigadores descobriram que o ATP (adenosina trifosfato), uma molécula necessária para a enzima funcionar normalmente, permite a ligação. 

Estes detalhes do composto à base de plantas ligado à enzima e ATP sugere que a estrutura do medicamento pode ser um modelo útil na concepção de medicamentos para o tratamento de numerosas outras doenças. Juntas, essas descobertas apontam para o poder da pesquisa básica para revelar novos insights sobre os processos biológicos e novos rumos para o desenvolvimento de medicamentos.
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