Antiga Marte tinha componente chave para a vida, revela meteorito

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Antiga Marte tinha componente chave para a vida, revela meteorito


Numa altura em que a vida como a conhecemos estava apenas a começando na Terra, a argila de Marte pode ter abrigado um componente-chave para um dos blocos de construção molecular da vida, dizem os pesquisadores.

Boro encontrado num meteorito marciano sugere que o Planeta Vermelho pode, no passado, ter tido a química certa para dar origem ao RNA, de acordo com um novo estudo detalhado online a 6 de junho na revista PLoS ONE [veja aqui].

"No início da vida o RNA é visto como o precursor da informação ao DNA", disse em comunicado o pesquisador James Stephenson, biólogo evolucionista. Há milhares de milhões de anos, o RNA pode ter sido a primeira molécula de informações. 

Hoje, essa tarefa é do domínio do DNA. O RNA, por sua vez, é responsável por transportar a informação genética do DNA às proteínas. Os investigadores acreditam que o componente de açúcar do RNA, a ribose, depende de boratos (forma oxidada de boro), de modo a formar-se espontaneamente.

"Os boratos podem ter sido importantes para a origem da vida na Terra, pois eles podem estabilizar a ribose, um componente crucial do RNA", acrescentou Stephenson. "Dado que o boro tem sido implicado no surgimento da vida, eu tinha assumido que era bem caracterizado em meteoritos", mas tal não era verdade. 

Stephenson e seus colegas estudaram então um meteorito de Marte tendo descoberto que as concentrações de boro eram mais de dez vezes maiores do que em qualquer objecto extraterrestres anteriormente medido. As descobertas também podem lançar luz sobre o início da história da Terra, dizem os pesquisadores.

A Terra e Marte costumavam ter muito mais em comum do que hoje. Com o tempo, Marte perdeu muito da sua atmosfera e água de superfície, mas os meteoritos antigos preservam argilas delicadas de períodos mais húmidos da história de Marte, de acordo com os pesquisadores. 

A argila marciana estudada é pensado ter até 700 milhões de anos. A reciclagem do crosta terrestre através de placas tectónicas não deixou nenhuma evidência de argilas com esta idade no nosso planeta, daí que as argilas marcianas possam fornecer informações essenciais sobre as condições ambientais na Terra primitiva, acreditam os pesquisadores.

Enquanto os meteoritos marcianos apresentam pistas interessantes sobre a química antiga do planeta vermelho, a frota do Mars rovers, que atualmente inclui o Curiosity e o Opportunity da NASA, tem vindo a estudar a composição de Marte no local. 

O Curiosity no início deste ano constatou que Marte poderia ter suportado a vida microbiana no passado antigo, com base numa amostra perfurada de rocha marciana. Essa amostra continha componentes químicos pensados serem críticos para a vida, incluindo enxofre, nitrogénio, hidrogénio, oxigénio, fósforo e carbono [saiba mais].


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