Mini buracos negros são mais fáceis de fazer do que se pensava (com vídeo)


http://www.ciencia-online.net/2013/03/mini-buracos-negros-sao-mais-faceis-de.html
Criar buracos negros microscópicos usando aceleradores de partículas exige menos energia do que se pensava, segundo pesquisadores.

Se os físicos, de facto, conseguirem criar buracos negros com tais energias na Terra, tal facto pode provar a existência de dimensões extras no universo, observaram os físicos. Esses buracos negros não representam qualquer risco para a Terra, acrescentaram.

Os buracos negros possuem campos gravitacionais tão poderosos que nada pode escapar, nem mesmo a luz. Os buracos normalmente formam-se quando os restos de uma estrela morta colapsam sob a sua própria gravidade, apertando a sua massa.

Uma série de teorias sobre o universo sugerem a existência de dimensões extras da realidade, cada uma dobrada em tamanhos que variam de tão minúsculos como um protão até tão grandes quanto uma fração de milímetro. A distâncias comparáveis ​​com os tamanhos dessas dimensões adicionais, estes modelos sugerem que a gravidade pode tornar-se muito mais forte do que o normal.

Quando o acelerador de partículas mais poderoso do mundo, o Large Hadron Collider, estava a ser construído, os cientistas perguntavam-se se ele poderia tornar-se uma "fábrica de buracos negros", gerando um buraco negro tão frequentemente quanto cada segundo. Mas, até agora, os pesquisadores não detectaram buracos negros no Large Hadron Collider. 

Ainda assim, o interesse teórico nessa possibilidade permanece vivo. Agora, usando supercomputadores, os pesquisadores simulam colisões entre as partículas perto da velocidade da luz. Estas simulações têm mostrado que os buracos negros podem formar-se em energias mais baixas do que se pensava anteriormente.

Esta nova descoberta está enraizada na teoria da relatividade de Einstein. Primeiro, através de sua famosa equação E=mc2, Einstein revelou que massa e energia são relacionados. Isto significa que quanto maior a energia de uma partícula, mais rápido essa partícula fica acelerada no colisor e maior se torna a sua massa.

Em seguida, a teoria de Einstein, explica que a massa curva o tecido do espaço e do tempo, gerando o fenómeno conhecido como a gravidade. Quando duas partículas colidem, cada uma pode focar a energia da outra. Se os cientistas usam modelos baseados na relatividade clássica, que exclui as noções de dimensões extras, "pode-se esperar a formação de um buraco negro, com um terço da energia que era esperada", disse o pesquisador Frans Pretorius, físico teórico da Universidade de Princeton.

Ainda assim, a física convencional sugere que seria necessário um quatrilhão, ou um milhão de biliões, de vezes mais energia para formar um buraco negro microscópico do que o Large Hadron Collider é capaz, por isso, mesmo assim, está além do alcance humano. Cenários com base em dimensões extras poderiam formar buracos negros com energia mais baixa, "mas eles não fazem previsões concretas sobre como deveria ser", disse Pretorius.



Por mais assustador que possam parecer os buracos negros, se os aceleradores de partículas na Terra poderem gerá-los, tais entidades infinitesimais não representam um risco para o planeta. "O equívoco comum sobre um dos pequenos buracos negros que se podem formar no Large Hadron Collider é que eles iriam engolir a Terra", disse Pretorius. "Com a confiança que a atual ciência nos dá, podemos dizer que isso é completamente impossível".

Para começar, o físico teórico Stephen Hawking calculou que todos os buracos negros devem perder massa ao longo do tempo, fenómeno chamado de radiação Hawking. Assim, os minúsculos buracos negros devem encolher através da evaporação muito mais rapidamente do que crescer a engolir matéria, morrendo dentro de uma fração de segundo, antes de poderem engolir uma qualquer quantidade significativa de matéria.

Mesmo admitindo que Hawking esteja errado e que os buracos negros são mais estáveis ​​do que isso, os pequenos buracos negros não representa qualquer perigo. Porque os buracos negros microscópicos seriam criados dentro de um acelerador de partículas, que devem manter a velocidade suficiente para escapar da gravidade da Terra. 

Além disso, se por algum motivo ficasse preso, eles seria tão pequeno que levaria mais do que a idade atual do universo para destruir um miligrama de matéria da Terra. Pretorius e o seu colega William East detalharam as suas descobertas online a 7 de março na revista Physical Review Letters.
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