O seu xixi poderá ser a energia dos robôs

O seu xixi poderá ser a energia dos robôs
Há um novo uso para corações artificiais e envolve um fluido corporal mais tabu do que sangue.


Um dispositivo que simula a acção de compressão do coração humano foi usado para bombear a urina para uma célula de combustível microbiana, podendo fornecer energia a robôs que convertem os resíduos em energia eléctrica.

"No futuro, nós esperamos que os robôs possam ser usados ​​em ambientes remotos da cidade, onde poderiam ajudar a controlar a poluição", afirma o pesquisador Peter Walters, um designer industrial da Universidade do Oeste da Inglaterra. "Poderiam reabastecer em banheiros públicos, ou mictórios ", acrescentou.

Walters e seus colegas da Universidade de Bristol criaram quatro gerações destes chamados EcoBots ao longo da última década. As versões anteriores dos robôs obtinham a energia a partir de produtos podres, moscas mortas, águas residuais e lamas.

Cada um é alimentado por uma célula de combustível microbiana, contendo microorganismos vivos, como os encontrados nas plantas do intestino humano ou no tratamento de esgotos. Os micróbios digerem os resíduos (ou urina) e produzem electrões, que podem ser colhidos para produzir corrente elétrica, afirma Walters.

Os pesquisadores já demonstraram que as células de combustível microbianas podem usar o poder da urina para carregar um telefone celular. Agora, a equipa desenvolveu um dispositivo, feito de músculos artificiais, que usa urina humana para obter energia microbianas para o robô. 

A bomba é construída a partir de materiais inteligentes, chamados de ligas com memória de forma, que se lembram da sua forma depois de serem deformadas. O aquecimento dos músculos artificiais com uma corrente eléctrica faz com que se comprima o centro mole da bomba, forçando a urina através de uma saída para dar energia às células de combustível do robô. 

A remoção do calor permite que os músculos revertam para a sua forma original, permitindo que mais fluido entre na bomba - tal como um coração relaxa para aspirar mais sangue. Vinte e quatro dessas células de combustível empilhadas foram capazes de produzir eletricidade suficiente para carregar um capacitor. 

Esse capacitor foi usado para acionar as contracções do coração artificial, relataram os pesquisadores a 8 de novembro na revista Bioinspiration and Biomimetics. Considerando que as bombas a motor convencionais tendem a ficar obstruídas, a bomba de músculo artificial tem orifícios internos maiores, afirma Walters.

Enquanto a nova bomba não produz mais eletricidade do que consome (sendo que parte da eletricidade vem da urina que é convertida em electrões), a mesma ainda não é extremamente eficiente. Os pesquisadores esperam melhorar a eficiência da bomba para uso em futuras gerações do EcoBot. [Livescience]
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