O que é uma lobotomia?

O que é uma lobotomia?
A lobotomia, também conhecida como leucotomia, é uma operação neurocirurgica que envolve o corte de ligações no lobo pré-frontal do cérebro. 

As lobotomias sempre foram controversa, mas foram amplamente executada durante mais de duas décadas como tratamento para a esquizofrenia, psicose maníaco-depressiva e transtorno bipolar, entre outras doenças mentais.

História da lobotomia

Os médicos começaram a manipular o cérebro para acalmar pacientes na década de 1880, quando o médico suíço Gottlieb Burkhardt removeu partes do córtex do cérebro de pacientes com alucinações auditivas e outros sintomas de esquizofrenia, reparando que os pacientes acalmavam (embora um paciente morresse e outro terá cometido suicídio após o procedimento).

O neurologista Português António Egas Moniz considerado o inventor da lobotomia, em 1935, tendo recebido o Prémio Nobel de Fisiologia ou Medicina em 1949 pelos seus trabalhos. O neurocientista de Yale, John Fulton e seu colega Carlyle Jacobsen realizaram também procedimentos semelhantes a lobotomia em chimpanzés em 1935. 

Moniz e o seu colega Almeida Lima executaram as primeiras experiências em seres humanos no final daquele ano. Os lobos frontais foram alvo por causa de sua associação ao comportamento e personalidade. 

Moniz relatou o tratamento como um sucesso para pacientes com doenças como depressão, esquizofrenia, transtorno do pânico e mania. A comunidade médica inicialmente criticou o procedimento, no entanto, os médicos começaram a usá-lo em países ao redor do mundo.

Mas as operações tiveram efeitos colaterais graves, incluindo o aumento da temperatura, vómitos, incontinência de bexiga e intestinal e problemas oculares, assim como apatia, letargia e sensações anormais de fome, entre outros. 

Métodos

Os primeiros procedimentos implicavam cortar um orifício no crânio e injetar etanol no cérebro para destruir as fibras que ligavam o lobo frontal a outras partes do cérebro. Mais tarde, Moniz desenvolveu um instrumento cirúrgico chamado leucótomo, que contém um aro de arame que, quando girado, criava uma lesão circular no cérebro.

Médicos italianos e norte-americanos foram os primeiros a adotar a lobotomia. Os neurocirurgiões americanos Walter Freeman e James Watts adaptaram a técnica de Moniz para criar a "técnica Freeman-Watts" ou "lobotomia pré-frontal padrão de Freeman-Watts".

O psiquiatra italiano Amarro Fiamberti desenvolveu um processo que envolvia aceder aos lobos frontais através das órbitas, que iria inspirar Freeman a desenvolver a lobotomia transorbital, em 1945, um método que não exigiria um cirurgião tradicional e uma sala de operação. 

A técnica envolvia o uso de um instrumento chamado orbitoclasto, um picador de gelo modificado, que o médico inseria através do soquete do olho do paciente usando um martelo. Então, movendo-se de lado a lado, o instrumento separava os lobos frontais do tálamo, a parte do cérebro que recebe e retransmite as entradas sensoriais.

Efeitos

À lobotomia foram relatados diversos efeitos prejudiciais sobre a personalidade do paciente, iniciativa, inibições, empatia e capacidade de funcionar por conta própria. A prática começou a diminuir em meados da década de 1950, altura em que os cientistas desenvolveram medicamentos antipsicóticos e antidepressivos que eram muito mais eficazes. 

A lobotomia raramente é efetuada hoje, sendo que a remoção de áreas específicas do cérebro (Psicocirurgia) só é usado para tratar pacientes para os quais todos os outros tratamentos falharam. [Livescience]
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