O que é a neurociência?

O que é a neurociência?

A Neurociência, ou Ciência Neural, é o estudo da estrutura, desenvolvimento e funções do sistema nervoso. Saiba tudo sobre esta ciência.


Os neurocientistas concentram-se no cérebro e no seu impacto sobre o comportamento e as funções cognitivas.

A neurociência não só se preocupa com o funcionamento normal do sistema nervoso, mas também com o que acontece com o sistema nervoso quando as pessoas têm distúrbios neurológicos, psiquiátricos e de desenvolvimento neurológico.

A neurociência é muitas vezes referida no plural, como neurociências e tem sido tradicionalmente classificada como uma subdivisão da biologia.

Nos dias de hoje, é uma ciência interdisciplinar que se articula de forma estreita com outras disciplinas, como a matemática, a linguística, a engenharia, as ciência da computação, a química, a filosofia, a psicologia e a medicina.

Muitos pesquisadores dizem que a neurociência significa o mesmo que neurobiologia. No entanto, a neurobiologia diz respeito somente à biologia do sistema nervoso, enquanto a neurociência se refere a qualquer coisa relativa ao sistema nervoso.

Os neurocientistas estão envolvidos em um escopo muito mais amplo de campos de hoje do que antes. Eles estudam os aspectos celulares, funcionais, evolutivos, computacionais, moleculares, celulares e médicos do sistema nervoso.

História da neurociência


Os antigos egípcios pensavam que a sede da inteligência era o coração. Por isso, durante o processo de mumificação, retiravam o cérebro, mas deixavam o coração no corpo. Heródoto (484-425 AC), um antigo historiador grego, disse: "A prática mais perfeita é para extrair o máximo do cérebro quanto possível, com um gancho de ferro, e o que o gancho não pode atingir, é misturado com drogas".

Os primeiros escritos sobre o cérebro foram encontrados num papiro de 1.700 AC de Edwin Smith, um antiquiário e colecionador americano. A palavra "cérebro" é mencionada oito vezes, quando os escritores estavam a descrever os sintomas, diagnóstico e prováveis resultados de duas pessoas que tiveram ferimentos na cabeça, nomeadamente fraturas compostas do crânio.

Por volta de 500 AC, pontos de vista diferentes sobre o cérebro começaram a surgir na Grécia Antiga. Alcmaeon, que se acredita ser um estudante de Pitágoras, escreveu que o cérebro é o lugar onde a mente está. Ele foi provavelmente a primeira pessoa na história a expressar a idéia por escrito. Hipócrates, logo em seguida, disse que o cérebro é a sede da inteligência.

Mais tarde, Aristóteles (384-322 AC), filósofo e sábio grego, disse que o cérebro é um mecanismo de resfriamento do sangue e que o coração é a sede da inteligência. Ele argumentou que os seres humanos se comportam de forma mais racional do que os animais porque os nossos cérebros maiores esfriam o sangue quente.

Herófilo de Calcedônia (330-250 AC), um médico grego, e Erasistratus de Ceos (300-240 AC), um anatomista grego e médico real, são ambos conhecidos por terem feito contribuições úteis e consideráveis para a anatomia do cérebro e do sistema nervoso. Infelizmente, os seus escritos foram perdidos - só sabemos acerca das suas contribuições através de fontes secundárias.

Galeno de Pérgamo (129-200 DC), um anatomista grego que trabalhou em Roma, disse que o cérebro era o lugar onde os sentidos eram processados porque é suave, enquanto o cerebelo controla os músculos, porque é mais denso do que o cérebro. O microscópio - que provavelmente foi inventado na Holanda em 1590 permitiu uma compreensão muito mais profunda do cérebro.

Durante o final da década de 1880, Gamillo Golgi (1843-1926) um médico, patologista e cientista italiano, usou sal cromato de prata para mostrar como se parecem os neurônios individuais. Santiago Ramón y Cajal (1852-1934), um patologista, histologista e neurocientista espanhol, aprofundou o trabalho de Golgi e formou a doutrina neuronal - que defendia o neurônio como a unidade funcional do cérebro.

Em 1906, Golgi e Cajal ganharam conjuntamente o Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina pelas suas extensas obras e categorizações dos neurônios no cérebro. Perto do final do século 19, Hermann von Hemholtz, (1821-1894) um médico e físico alemão, Hohannes Peter Müller, (1801-1858), um fisiologista alemão, e Emil du Bois-Reymond, (1818-1896), médico e fisiologista alemão, demonstraram a excitabilidade elétrica dos neurônios, e como o estado elétrico dos neurônios adjacentes são afetados por um neurônio eletricamente animado.

Ao mesmo tempo, Pierre Paul Broca (1824-1880), médico, cirurgião, anatomista e antropólogo francês, trabalhou em pacientes com danos cerebrais, tendo chegado à conclusão de que as diferentes regiões do cérebro estavam envolvidas em funções específicas. John Hughlings Jackson (1835-1911), um neurologista Inglês, através de observações de pacientes com epilepsia, descreveu como o córtex motor se organiza.

Carl Wernicke (1848-1905), médico, anatomista, psiquiatra e neuropatologista alemão, acreditava que certas partes do cérebro eram responsáveis pela compreensão e enunciaçao da linguagem. A partir da década de 1950, o estudo científico do sistema nervoso fez grandes avanços, principalmente por causa dos progressos alcançados noutras áreas afins, como a neurociência computacional, a eletrofisiologia e a biologia molecular. Os neurocientistas foram capazes de estudar a estrutura do sistema nervoso, as suas funções, o seu desenvolvimento, as anormalidades e as formas que podem ser alteradas.

Principais ramos da neurociência moderna


Os diversos ramos da neurociência, com base na sua áreas de pesquisa e nos seus temas de estudo, podem ser classificados nas seguintes disciplinas (os neurocientistas geralmente cobrem vários ramos ao mesmo tempo):
  • Neurociência afetiva - na maioria dos casos, a investigação é realizada em animais de laboratório e analisa a forma como os neurônios se comportam em relação às emoções.
  • Neurociência comportamental - o estudo das bases biológicas do comportamento. Olha para a forma como o cérebro afeta o comportamento.
  • Neurociência Celular - o estudo dos neurônios, incluindo a sua forma e propriedades fisiológicas a nível celular.
  • Neurociência Clínica - estuda as desordens do sistema nervoso, enquanto a psiquiatria, por exemplo, analisa os distúrbios da mente.
  • Neurociência cognitiva - estuda as funções cognitivas superiores que existem em seres humanos, e as suas bases neurais subjacentes. A neurociência cognitiva faz uso da linguística, da neurociência, da psicologia e da ciência cognitiva.
  • Neurociência computacional - tenta entender como o cérebro faz calculos, usando computadores para simular e modelar as funções cerebrais, e aplicando técnicas de matemática, física e outros campos computacionais para estudar a função cerebral.
  • Neurociência Cultural - analisa a forma como as crenças, práticas e valores culturais são moldados e moldam o cérebro, a mente e os genes em diferentes períodos.
  • Neurociência desenvolvimental - analisa a forma como o sistema nervoso se desenvolve numa base celular; estuda quais os mecanismos subjacentes existem no desenvolvimento neural.
  • Neurociência molecular - estuda o papel das moléculas individuais no sistema nervoso.
  • Neuroengenharia - utiliza técnicas de engenharia para entender melhor os sistemas neurais, para os substituir, reparar ou melhorar.
  • Neuroimagem - é um ramo de imagem médica que se concentra no cérebro. O neuroimageamento é utilizado para diagnosticar doenças e avaliar a saúde do cérebro. Também pode ser útil para o estudo do cérebro e do seu funcionamento.
  • Neuroinformática - integra dados de todas as áreas da neurociência, para ajudar a entender o cérebro e tratar doenças. Envolve a aquisição de dados, a partilha, edição e armazenamento de informações, a sua análise, modelagem e simulação.
  • Neurolinguística - estudar quais os mecanismos neurais no cérebro que controlam a aquisição, compreensão e expressão oral da língua.
  • Neurofisiologia - analisa a relação do cérebro e das suas funções, considerando as suas partes e como se relacionam. Estudam as funções do sistema nervoso, geralmente usando técnicas fisiológicas, como a estimulação com eletrodos.
  • Paleoneurologia - estuda o cérebro usando fósseis.
  • Neurociência social - é um campo interdisciplinar dedicado a entender como os sistemas biológicos implementam processos e comportamentos sociais. Reúne conceitos e métodos biológicos para informar e refinar teorias do comportamento social. Usa conceitos e dados sociais e comportamentais para refinar teorias.
  • Neurociência dos sistemas - segue os caminhos do fluxo de dados dentro do SNC (sistema nervoso central) e tenta definir os tipos de processamento que lá acontecem. Usa essa informação para explicar as funções comportamentais. [MNT]
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