Formas de vida baseada em metano podem existir em Titã

Formas de vida baseada em metano podem existir em Titã

Cientistas modelaram uma forma de vida baseada em metano que pode existir sem oxigénio e, teoricamente, prosperar no ambiente hostil de Titã, uma das luas geladas de Saturno.


Titã tem uma atmosfera de azoto e metano altamente pressurizada, e é o único outro corpo planetário no nosso Sistema Solar com líquido a correr naturalmente à superfície.

Ela tem três mares de metano perto do seu pólo norte, uma característica que foi confirmada após a sonda Cassini fazer um voo rasante à lua em 2006.

Agora, engenheiros químicos da Universidade de Cornell, nos EUA, dizem que é teoricamente possível que a vida - de uma forma diferente da que existe na Terra - possa tomar forma dentro desses mares terrivelmente frios.

A equipa construiu um modelo de uma membrana celular que não precisa de oxigénio para sobreviver ou se reproduzir, e eles dizem que é o "primeiro plano concreto de vida diferente de como a conhecemos".

A membrana celular teorizada pela equipa - chamada de azotosoma, ou corpo de nitrogénio - é constituída por pequenos compostos de nitrogénio orgânico, e é capaz de funcionar em temperaturas de metano líquido, próximas do zero absoluto, ou a menos 273 graus Celsius.

Na Terra, as células são protegidas pela membrana de bicamada fosfolipídica. Esta é uma vesícula forte e permeável à base de água que abriga a matéria orgânica de cada célula. Trata-se de um componente fundamental para a vida que e tem dirigido a nossa busca por vida extraterrestre noutros planetas localizados em zonas onde pode existir água líquida.

Mas ao modelar esta nova forma de vida, os cientistas abdicaram do pressuposto de que o oxigénio é essencial para a formação da vida. Usando dados da Cassini acerca das substâncias conhecidas na atmosfera e nos mares de metano de Titã, os pesquisadores iniciaram um processo de triagem para moléculas potenciais que poderiam ser capazes de se auto-organizar em algo semelhante a uma membrana.

É importante ressaltar que a estrutura resultante precisava ser estável e flexível, como as células da Terra. No entanto, isso é incrivelmente difícil de alcançar em temperaturas criogénicas. De acordo com o comunicado de imprensa, o composto mais promissor que descobriram foi o acrilonitrilo - um composto orgânico líquido incolor e venenoso, que é utilizado no fabrico de fibras acrílicas, resinas e termoplásticos.

Apesar dos resultados promissores, os pesquisadores afirmam que o seu trabalho não prova que existe vida em Titã, e não apresenta detalhes sobre como os alienígenas teóricos pode parecer e se evoluem ou não. No entanto, também acreditam que a sua pesquisa pode redireccionar a busca de vida alienígena.

"Como o nosso entendimento sobre as condições que possam nutrir a vida extraterrestre se expande, o mesmo acontece com a nossa probabilidade de encontrá-la, talvez dentro da zona habitável de metano líquido", escrevem eles no seu artigo que descreve as conclusões na revista científica Science Advances.
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