Estranho planeta tem água na forma de plasma na atmosfera

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Estranho planeta tem água na forma de plasma na atmosfera


Um planeta alienígena com seis vezes o tamanho da Terra está coberto com um ambiente rico em água, que inclui uma estranha forma de água em plasma, dizem cientistas.

Os astrónomos determinaram que a atmosfera da super-Terra Gliese 1214 b é provavelmente rica em água. No entanto, este exoplaneta não é gémeo da Terra. A alta temperatura e densidade do planeta geram uma atmosfera que difere drasticamente da Terra.

"À medida que a temperatura e pressão são tão elevadas, a água não está na forma habitual (vapor, líquido ou sólido), mas numa forma iónica, ou de plasma, na parte inferior da atmosfera - ou seja, o interior de Gliese 1214 b", afirmou Norio Narita do Observatório Astronómico Nacional do Japão, em entrevista ao Space.com.

Usando dois instrumentos no telescópio Subaru situado em Mauna Kea, no Havaí, os cientistas estudaram o espalhamento da luz do planeta. Combinando os resultados com as observações anteriores os astrónomos foram capazes de concluir que a atmosfera continha quantidades significativas de água.

Localizado a 40 anos-luz do sistema solar, na constelação Ophiuchus, o planeta orbita a sua estrela fria, de baixa massa tipo- M, uma vez a cada 38 horas, estando 70 vezes mais perto do que a Terra está do sol.

A sua proximidade significa que as suas temperaturas alcançam até 280 graus Celsius. Com seis vezes a massa da Terra, Gliese 1214 b fica entra a dos gigantes Urano e Neptuno. As elevadas temperaturas do planeta podem afectar a química de hidrogénio e carbono, que pode produzir uma neblina na atmosfera. 

Mas determinar se o tempo está claro ou nublado perpetuamente em Gliese 1214 b seria difícil, já que as diferenças nos dois ambientes são pequenas. "Na alta pressão e alta temperatura, o comportamento da água é muito diferente do visto na Terra", disse Narita.

Ao contrário de planetas terrestres, a super-Terra não tem uma superfície sólida, tornando a altura da atmosfera difícil de definir. Em vez disso, os cientistas atmosféricos introduziram um conceito chamado de escala de altura, uma altura determinada por alterações no aumento ou diminuição da pressão atmosférica, por uma quantidade definida. 

Na Terra, a altura da escala é de cerca de 10 km, enquanto em Gliese 1214 b é três vezes mais profunda, segundo Narita. "Prevemos que a água iónica, ou plasma, pode ser vista no fundo do planeta", disse Narita.

Embora a água seja muitas vezes considerada um ingrediente necessário à vida pelos cientistas, Narita não acha que a super-Terra seja promissora devido à sua órbita próxima, que fica na zona habitável da estrela, a região onde a água líquida pode existir.

"Embora o vapor de água possa existir na atmosfera, a água líquida - ou seja, os oceanos - não existem na superfície do planeta", disse ele. "Então, infelizmente, não acho que este planeta seja habitável". A equipa de Narita pretende continuar a estudar o planeta com observações espectroscópicas no comprimento de onda visível.
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